Comissão da cadeia apícola discute tipificação da própolis e sistemas de produção para o pólen

O pesquisador Ricardo Camargo, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) irá coordenar as 2ª e 3ª reuniões de 2013 da Comissão de Estudo Especial da Cadeia Apícola (ABNT/CEE-87), como parte do planejamento estratégico da Comissão, que trata do processo de normalização da cadeia apícola nacional.

Melipolinário da Embrapa Meio Ambiente

Melipolinário da Embrapa Meio Ambiente

As reuniões serão realizadas respectivamente em 16 de maio, onde será dado continuidade aos trabalhos de elaboração da norma de “tipificação da própolis” e em 17 de maio serão iniciados os trabalhos para elaboração da norma de Sistema de Produção no Campo para o Pólen, nos moldes como realizado para o mel primeiramente e depois para a própolis.

Conforme o pesquisador, esse processo de normalização compreende aspectos de manejo de produção, coleta, transporte, extração e equipamentos nas fases de campo (apiário, unidade de extração), além do processamento da matéria prima (produtos das abelhas) no entreposto, englobando os requisitos técnicos para métodos de ensaios (físico-químico e microbiológico), sistema de rastreabilidade e terminologia.

As reuniões estão inseridas na programação do II Seminário Brasileiro de Própolis e Pólen, a ser realizado de 15 a 17 de maio de 2013, no Centro de Convenções Luís Eduardo de Magalhães, em Ilhéus, BA. Ainda haverá, em paralelo, o V Congresso Baiano de Apicultura e Meliponicultura, o VII Seminário de Própolis do Nordeste e a II Feira da Cadeia Produtiva da Apicultura e Meliponicultura. Composto por palestras, mesas redondas, apresentações de trabalhos, minicursos, concursos e visitas técnicas, enfoca principalmente, as áreas de técnicas de manejo, pesquisas, comercialização e exportação para a própolis e pólen.

Os objetivos desses encontros são fortalecer a apicultura e meliponicultura, por meio da organização e capacitação intensiva de seus atores, utilizando conhecimentos e tecnologias adaptadas para esta atividade tendo como norteador a preservação ambiental, a organização social, gestão e mercado, além de incentivar a produção e a comercialização da própolis e do pólen e conhecer os canais de comercialização para eles”, enfatiza Camargo.

Camargo também irá apresentar trabalho que está sendo realizado no apiário experimental instalado na área de reserva legal do campo experimental II, sobre determinação de agrotóxicos em amostras de pólen apícola coletadas em Apiário Experimental da Embrapa Meio Ambiente. O estudo tem sido conduzido por Renata Cabrera de Oliveira, aluna de doutorado da Unicamp, sob a supervisão de Sônia Queiroz, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente para as análises laboratoriais e na parte de campo pelo referido pesquisador.

O pólen apícola tem sido apontado como um potencial bioindicador da presença de contaminantes ambientais em áreas onde existam apiários instalados. Devido ao comportamento forrageiro das abelhas na busca das matérias primas (pólen, resina e néctar) necessárias para o desenvolvimento da colônia, as abelhas forrageiras percorrem distâncias consideráveis (em média de 1 a 2km de raio do local da colônia), cobrindo consequentemente grandes áreas em torno do apiário ou da colônia (ninho natural).

Dessa forma, se existem áreas com cultivo tradicional e consequentemente aplicação de agrotóxicos, tanto as culturas alvo da aplicação desses produtos como as áreas em torno podem apresentar resíduos desses agrotóxicos. Ao visitarem as flores dessas plantas, as abelhas podem levar para a colônia matérias primas contaminadas por essas substâncias químicas. No entanto, não há estudos que correlacionem as concentrações dos contaminantes encontradas no pólen com o nível e/ou severidade da contaminação ambiental ou nos alimentos.

Neste contexto, surgiu essa proposta de desenvolver um estudo para avaliação do uso do pólen como bioindicador de contaminação ambiental, da saúde da colmeia e da segurança do alimento, através da verificação da correlação entre os níveis de agrotóxicos encontrados em amostras de pólen apícola e a contaminação ambiental.

Como parte deste estudo, o objetivo do trabalho foi analisar amostras de pólen apícola para determinação de multi resíduos de agrotóxicos.

O trabalho é conduzido com a coleta de amostras em épocas diferentes do ano, a fim de contemplar períodos sazonais com condições climáticas diversas, ocorrência de diferentes floradas e mudanças no calendário de aplicação das substâncias testadas. Durante as etapas já concluídas, o pólen, assim como outros produtos das abelhas, tem demonstrado ser um bioindicador eficaz na avaliação de contaminação por agrotóxicos.

Cristina Tordin, MTb 28499
Embrapa Meio Ambiente
cristina.tordin@embrapa.br
(19) 3311.2608

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